no Almoço de Homenagem ao Presidente Cessante,
Juiz Conselheiro Dr. Lázaro Martins De Faria
Sr. Conselheiro Lázaro de Faria , primeiro Presidente da Relação de Guimarães,
Habituamo-nos até agora, nas festas que vínhamos celebrando, a esperar que chegasse a hora própria para vos ouvirmos falar sobre o desempenho na causa da justiça do Tribunal da Relação de Guimarães.
A exultação que sempre havia de transparecer das vossas palavras era, sistematicamente, a garantia de que a Relação de Guimarães estava a funcionar de acordo com as regras do exigível decoro e que, para tanto, havia sempre estes identificados responsáveis:
-As Ex.mas Juízas Desembargadoras e os Ex.mos Juízes Desembargadores que, diligentemente, se embrenhavam na sua função e, também, as Senhoras e os Senhores funcionários que, zelosa e competentemente, completavam o trabalho para que a boa administração da justiça se pudesse ultimar.
Era este, quase invariavelmente, o modo como o Sr. Conselheiro ajuizava as atitudes de todos quantos serviam e, felizmente, continuam servir, a Relação de Guimarães.
Com autoridade, que não é o mesmo que autoritarismo, não lhe escasseava, outrossim, o humanismo e a sensibilidade de poder apreender e julgar as circunstâncias que integram o rigor dos serviços.
Pude testemunhar o denodo com que eram defendidos os interesses da Relação de Guimarães, o brio como eram alcançados os propósitos que as circunstâncias iam tornando possíveis e a persistência que era posta na concretização das acções inerentes à conservação do seu espaço intelectual e físico.
A força das circunstâncias faz com que tenhamos de nos despedir do Sr. Conselheiro; e a festa que ora fazemos e que, vaidosamente, nos contenta é um acto de gratidão que nos enche de orgulho.
Duvidamos, porém, se gostaríamos de a fazer.
Se é verdade que temos motivos para comemorar - a ascensão ao cume da carreira é uma meta que engrandece quem assim é distinguido - também é certo que foi esta, embora esperada, ocorrência que determinou que de nós V.ª Ex.ª se tivesse de apartar.
Neste conflito de sentimentos vamos optar, aplaudir e pensar só no mérito que consubstancia a promoção do Sr. Conselheiro ao nosso mais Alto Tribunal, o sonho de todo o Magistrado, e, com ele, nos embrenhamos nesta volúpia.
A vossa passagem entre nós deixou um vincado rasto que assinala o caminho certo a prosseguir e que, futuramente, vai ser o trilho que vamos procurar pisar.
Fostes vós quem, tal qual os bandeirantes que tiveram o encargo de abrir novas veredas em terras ignotas e distantes, destes os primeiros passos no reconhecimento e construção do edifício do saber da Relação de Guimarães e, pelo modo como tudo foi erigido, tornastes mais fácil a sua consolidação e autoridade.
E porque "uma memória exercitada é um guia mais valioso do que o génio e a sensibilidade" (Friedrich von Schiller - dramaturgo e poeta 1759/1805), os hábitos que, despretensiosamente, se foram paulatinamente implantando, são práticas que ora continuamos a observar e com as quais queremos prosseguir, desta sorte adoptando um modo de homenagear o seu obreiro e ligando-os à história e à memória do seu primeiro Presidente.
Porque com ele nos queremos assemelhar, termino citando Virgílio (o autor do poema épico - Eneida): enquanto os rios corram, os montes façam sombra e no céu haja estrelas, deve durar a memória do bem recebido na mente do homem grato.
Estamos-lhe gratos, Sr. Conselheiro.
A forma de, humildemente, mostrar este nosso agradecimento, queremos que fique perpetuada nesta nossa oferenda, que pretendemos seja uma eterna recordação, simbolicamente representativa do muito apreço e dedicação que queremos, nesta hora, comprovar.
Agradecemos a todos os que aqui estão a simpatia de se terem associado à homenagem que fazemos ao primeiro Presidente da Relação de Guimarães; e o abraço que vou dar ao Sr. Conselheiro Lázaro de Faria é um acto que queremos que seja representativo da amizade de todos quantos com ele nesta hora o felicitam e que com ele se contentam.
Guimarães, 2 de Abril de 2008
António da Silva Gonçalves
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